Ao leitor

Vejo-me aqui tão repetido! 
E eu me quisera sempre novo,
embora se repita a vida, 
repitam-se as canções do povo. 

Mas quando a imagem se repete, 
o amor perde a graça do novo. 
Quero fazer do meu eterno 
para servir de exemplo ao povo. 

Se a vida foi tão repetida, 
a ponto de não ter mais novo 
sentido, o amor se refugie 
nas canções antigas do povo. 

Que há sempre nelas um sentido
de cantiga de roda, novo 
porque cantado pelas vozes puras 
dos meninos do povo. 

E por mais antigas que sejam 
e repetidas, sempre é novo 
o olhar que inventa um novo mundo 
nas canções antigas do povo. 

Pueril, o hosana que descobre 
o mundo velho — de olho novo — 
faz eterna, nas vozes novas, 
a mais velha canção do povo. 

Para que a imagem repetida 
não lhe tire a graça do novo, 
farei do meu amor eterno 
como os velhos cantos do povo. 

Espero em Deus que assim se faça, 
pois, em seu reino sempre novo, 
sua vontade, que aceitamos, 
foi pão nosso — como o do povo.

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