Waldemar Lopes

Soneto de Amizade para Odylo Costa, filho

de Waldemar Lopes

A dor na luz. do poema consumida
(era a lição de Goethe); e, seiva ardente,
ei-la em teu puro canto, onipresente.
Nem pode a morte o que não pôde a vida:

apagar na memória de repente
rudes chãos, quietos céus, sombra incendida
ao sol da infância, a fonte inexaurida,
amor feito de ausência, mas presente

no canto amargo, lúcido chorado,
de timbre austero e humilde, tom de dor,
água, sangue e raízes do passadoem que atônitos anjos/lobisomens
terão cunhado eterno o versomor:
Deus necessita do perdão dos homens