Valdemar Cavalcanti

De Valdemar Cavalcanti sobre Tempo de Lisboa

A prosa de Odylo Costa, filho — mesmo a prosa de circunstância, destinada a jornal, crônica ou reportagem, tudo de primeiríssima, — a verdade é que nunca me enganou: por baixo do texto corria, manso, um veio de poesia. Ele disfarçava da melhor maneira, mas não tão bem que não nos deixasse descobrir a face do poeta. E era o que me impressionava: tantos, neste País, paquerando a poesia, namorados sem sorte ou noivos de não casar nunca, só dispondo de seu de uma fina linha de poesia capaz de passar pelo fundo de uma agulha, e ele, com aquela riqueza toda, dando de ombros e esnobando. Só a custo consentiu em aparecer na condição de bissexto, obra e graça de Manuel Bandeira. Foi preciso, desgraçadamente, que um dia a dor mais funda e o sentimento mais dramático da vida o levassem a soltar a voz, que é hoje das mais límpidas e harmoniosas da poesia brasileira.

(“Diário de Notícias”)