Odylo Costa, filho

De Odylo Costa, filho sobre Tempo de Lisboa

Desde quando me juntei ao meu saudoso amigo Henrique Carstens para reunir, no “Livro de Poemas de 1935”, o número de versos necessário a concorrer ao prêmio da Academia Brasileira (tivemos menção honrosa, porém o realmente honroso foi ser vencido pelo premiado, que aliás até hoje não publicou o seu “Magma”: chamava-se Guimarães Rosa) — desde aquele tempo só eventualmente fiz versos. Mais bissextamente ainda dava-os à publicidade. Havia, porém, um amigo que sempre pensava em mim como poeta.: dedico este livro à memória de Ribeiro Couto, em testemunho de fraterna estima que o tempo e a morte não venceram.

Um dia, em 1964, Manuel Bandeira me pediu poemas novos para a segunda edição da sua “Antologia dos Poetas Brasileiros Bissextos Contemporâneos”. Dei-lhe alguns que nem a ele mesmo mostrara, tão íntimos e inseguros me pareciam. Sua reação me animou para uma volta mais constante à poesia. Escrevo aqui seu nome de “pai e amigo, padrinho e irmão, meu santo leigo”. Escrevo também o de meu mestre Gilberto Amado, que vai para mais de trinta anos nos encontramos, ele, professor, eu, aluno, “e ficamos para sempre companheiros”: nunca me faltou sua mão no meu ombro.

Ofereço e consagro ainda estes versos àqueles dos meus amigos que choraram ao lê-los. E lembro muito especialmente Carlos e Annah, Rachel, Élvia. A eles repito, em prosa, o que lhes digo num soneto: arrependo-me desta lira monocórdia e prometo comédias para que olhos alheios, mesmo tão próximos, não se manchem com uma dor que é minha. Como dizia Mallarmé, muna frase que Manuel Bandeira me mandou esta semana: “…en poésie, il s’agit, avant tout, de faire de la musique avec sa douleur, laquelle directement n’importe pas”.

XII 1966

O. C., f.