Martins Napoleão

Soneto para Odylo Costa, filho

de Martins Napoleão

Li tua poesia em mãos do Dante.
Não teus versos, mas tua poesia,
aquela que nos vem no puro instante
em que o barro mortal, que é forma fria,

ao contacto de Deus se torna arfante.
(Assim no peito o coração, no dia
em que se aquece trêmulo diante
do misterioso pão da Eucaristia).

Achaste a poesia verdadeira
que entre sombras eternas se insinua
até chegar à nossa triste poeira.

A terrível espada do anjo forte
que, atravessando a nossa carne nua,
só nos fere de amor em vez de morte.