Livraria José Olympio

Nota da Livraria José Olympio para a Edição de 1971

Dados Biobibliográficos do Autor

Filho do casal Odylo de Moura Costa e Maria Aurora Alves Costa, nasceu Odylo de Moura Costa, filho, em São Luís do Maranhão a 14 de dezembro de 1914, pouco depois de começada na Europa a guerra que sepultaria em definitivo o século XIX. Mas, embora maranhense de nascimento, Odylo Costa, filho, fez estudos primários e secundários em Teresina, Piauí, os primeiros no Colégio Sagrado Coração de Jesus e os segundos no Liceu Piauiense, o que lhe confere assim dupla afetividade de província, fraternalmente desdobrada entre as duas cidades, e estendida a Campo Maior, no Piauí, onde nasceu sua mulher, D. Maria de Nazareth Pereira da Silva Costa, com quem se casou em 1942, sob a bênção de três poetas: Manuel Bandeira, Ribeiro Couto e Carlos Drummond de Andrade, padrinhos do casamento.

Mas já aos 16 anos, em março de 1930, Maranhão e Piauí ficavam para trás e Odylo Costa, filho, em companhia dos pais fixava-se no Rio de Janeiro, bacharelando-se em Direito, pela Universidade do Brasil, em dezembro de 1933. Desde os 15 anos, porém, já se revelava no jovem maranhense a vocação de jornalista, que encontra aliás seu primeiro abrigo no semanário Cidade Verde, de Teresina, fundado em 1929. Por isso mesmo, em janeiro de 1931, conduzido por Felix Pacheco, entrou Odylo para a redação do Jornal do Comércio, onde permaneceu até 1943. O jornalismo, entretanto, embora ocupando boa parte de sua atividade intelectual, não o fazia esquecer a literatura e, em 1933, com o livro inédito Graça Aranha e outros ensaios, publicado no ano seguinte obtinha o maranhense o Prêmio Ramos Paz da Academia Brasileira de Letras. Em 1936, em colaboração com Henrique Carstens, publica o Livro de Poemas de 1935, seguido nove anos mais tarde do volume intitulado Distrito da Confusão, coletânea de artigos de jornal em que, nas possíveis entrelinhas, fazia a crítica do regime ditatorial instaurado no país em 1937. Mas o Jornalismo, apesar desses encontros sempre felizes com a literatura, foi na verdade sua dedicação mais imensa, exercido alias com notável espírito de renovação e modernidade. Deixando o Jornal do Comércio, Odylo Costa, filho, foi sucessivamente fundador e diretor do semanário Política e Letras (de Virgílio de Melo Franco, de quem foi dedicado colaborador na criação e nas lutas da União Democrática Nacional), redator do Diário de Notícias, diretor de A Noite e Rádio Nacional, chefe de redação do Jornal do Brasil, de cuja renascença participou decisivamente, diretor da Tribuna da Imprensa, diretor da revista Senhor, secretário do Cruzeiro Internacional, diretor de redação de O Cruzeiro e, novamente, redator do Jornal do Brasil, função que deixou em 1965, ao viajar para Portugal como adido cultural à Embaixada do Brasil. Mas nem sempre, ao longo dessa extraordinária atividade, foi ele apenas o jornalista de bastidores, o técnico invisível. Em 1952 e 1953, por exemplo, exerceu a crítica literária no Diário de Notícias, onde também criou e manteve a seção “Encontro Matinal”, juntamente com Eneida e Heráclio Salles. Durante prolongado período, publicou uma crônica diária na Tribuna da Imprensa.

Na vida pública, Odylo Costa, filho, foi Secretário de Imprensa do Presidente Café Filho, Diretor da Rádio Nacional e Superintendente das Empresas Incorporadas ao Patrimônio da União.

A partir de 1963 circunstâncias dolorosas levaram-no de volta a uma prática mais constante da poesia, que não abandonara de todo embora fugisse à publicação em letra de forma e até mesmo à leitura pelos amigos mais íntimos. E foi o maior deles, Manuel Bandeira, ao preparar a 2aedição da sua Antologia dos poetas brasileiros bissextos contemporâneos, o primeiro a ler alguns desses poemas, sobretudo os inspirados pela morte de um filho ainda adolescente, que tinha seu nome, poemas esses que Bandeira colocava entre “os mais belos da poesia de língua portuguesa”. Animado ainda por Bandeira, Rachel de Queiroz e outros amigos, Odylo Costa, filho, reuniu afinal seus versos em volume publicado em Lisboa em 1967, que agora, muito ampliado com os poemas da “Arca da Aliança” e com o título de Cantiga incompleta, esta Editora oferece aos leitores brasileiros abrangendo toda a poesia do autor. Mas se a poesia tem sido uma constante presença em sua vida, a ficção também participa de sua bibliografia literária desde 1965, quando, aos 50 anos, publicou a novela A faca e o rio, já traduzida para o inglês pelo Prof. Lawrence Keates, da Universidade de Leeds, e para o alemão por Curt Meyer-Clason, em vias de publicação. A propósito dessa novela, Gilberto Amado escreveu ao autor: “Li de um fôlego, estou sem fôlego”. À edição portuguesa de A faca e o Rio (Lisboa, 1966), acrescentou Odylo Costa, filho, o conto A invenção da Ilha da Madeira, nova e feliz experiência do ficcionista até então oculto pelo poeta, e ainda prolongada no conto História de Seu Tomé meu Pai e minha Mãe Maria, em edição fora do comércio.

Profundamente ligado ao Maranhão (foi eleito para suplente, no Senado Federal, do ex-governador José Sarney) escreveu a introdução aos desenhos da pintora Renée Levèfre no belo livro Maranhão: São Luís e Alcântara (1971, Cia. Editora Nacional). De abril de 1965 a maio de 1967 o autor de A faca e o rio foi adido cultural da Embaixada do Brasil em Portugal, onde mereceu a honra de ser incluído entre os membros da Academia Internacional de Cultura Portuguesa. De regresso ao Brasil, embora tivesse recusado o convite do  Presidente Costa e Silva para exercer o cargo de Diretor da Agencia Nacional, Odylo Costa, filho, voltou no entanto ao exercício do jornalismo, primeiro como Diretor da revista Realidade, de São Paulo, e mais tarde como diretor de redação da Editora Abril, no Rio, empresa a que continua ligado como membro do Conselho Editorial. Odylo Costa, filho, pertence à Academia Brasileira de Letras onde foi recebido por Peregrino Júnior, sucedendo a Guilherme de Almeida, na cadeira no15, fundada por Olavo Bilac, de que é patrono Gonçalves Dias.

Rio, novembro de 1971.