Dedicatória

Tanto quisestes ter um filho poeta! 
E que esse filho fosse eu, pedia, 
apontando o mais velho, uma secreta
aspiração, quase uma profecia… 

Bem cedo me perdi na busca inquieta 
dos caminhos mas sempre a poesia
foi para mim patética e incompleta, 
desajeitada agora, agora fria. 

Veio depois a vida e mergulhou 
a minha alma na grande dor severa, 
barco afogado em rio adormecido. 

Do sofrimento o verso rebentou. 
Antes, meu Pai e minha Mãe, quisera 
que esse verso jamais fora nascido.