Soneto do Amor Teimoso

Amo-te hoje do mesmo amor teimoso
daquele dia em que te vi primeiro
e se te amei desde o primeiro instante
hei de te amar até o derradeiro.

Somam-se em mim para te amar a vida
e a morte: nem jamais eu suspeitara
que do capricho pela adolescente
viesse esta força indefinida e rara.

Amor feito resina, porque chora,
calado como as coisas, como o chão,
mas capaz de irromper — estranha lava —

numa festa de flor, só flor, mais nada,
cobrindo o tronco velho e os galhos secos
como as quaresmas que teu filho amava.

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